Armado na Praça de Alimentação do Minas Shopping

Em uma noite tranquila de segunda-feira, as pessoas que se encontravam na praça de alimentação do Minas Shopping em Belo Horizonte se depararam com uma cena no minimo estranha. Um sujeito vestindo um colete repleto de sensores, conectado por um fio a uma arma de laser, apareceu do nada, olhou todos nos olhos em posição de ataque, pediu desculpas e desapareceu.

Vocês devem estar se perguntando: o que é isso? Onde vamos parar com tanta violência? Já inventaram arma a laser? Será uma dessas armas usadas na Guerra do Golfo? Vou contar a vocês, eu presenciei tudo, não precisa se apavorar e nem ficar preocupado se você e sua família frequenta esse shopping.

Esse fato não apareceu nas manchetes dos jornais de hoje e nem na TV por ter acontecido a alguns anos atrás, uns 10 anos pelo menos, e é mais um dos casos hilários que só acontecem comigo.

Na época, eu me encontrava semanalmente com uma turma de amigos, que diga-se de passagem era grande, umas 12 pessoas mais ou menos. Os programas eram variados. As vezes rolava um boteco, kart, jogos e na semana em questão resolvemos ir ao Laser Shot que ficava no Minas Shopping, bem ao lado da praça de alimentação.

Nos encontramos em um bar no Palmares, para comer alguma coisa e tomar umas biritas antes de encararmos o desafio do Laser Shot. Como a turma era grande e queríamos ir todos juntos, reservamos o horário das 21:00 as 22:00 horas, para dar tempo de todos saírem do trabalho e  participar da brincadeira escolhida para a semana.

Não tinha a menor ideia de como funcionava a parada, mas um amigo foi esclarecendo no bar como era a brincadeira. As regras eram mais ou menos assim:

  • A turma seria dividida em duas equipes de seis pessoas;
  • Cada equipe teria seu Centro de Controle e nele uma bandeira. O objetivo de cada time era capturar a bandeira do adversário;
  • Cada membro da equipe seria equipado com um colete repleto de sensores e uma arma, ligada ao colete por um fio;
  • A cada tiro que você tomava, o colete ia sendo desativado, simulando um ferimento ou sua morte. A desativação era gradativa conforme o ferimento, o que implicava em você não conseguir atirar em caso de morte (tiro no peito por exemplo). A cada x tempo, que não me recordo, se você não tomasse nenhum tiro o colete ia se restabelecendo e o pau quebrava novamente.

Não preciso dizer que após essa explicação a turma ficou ensandecida, e várias juras de vou acabar com você foi feita na mesa do bar. A rixa ficou tão forte que ali mesmo dividimos as equipes, pagamos a conta do buteco e fomos para o Laser Shot com a faca nos dentes, literalmente.

Chegamos no stand do Laser Shot umas 20:30 hs. O grupo já estava dividido, então, cada um escolheu a sua bandeira, entre vermelho e amarelo, e fomos nos equipar. Eramos homens e mulheres misturados, cada um seguiu para seu respectivo banheiro e nos encontramos na recepção novamente após 10 minutos.

Na própria recepção, um instrutor do stand explicou que:

  • dentro do local a luz era pouca para dificultar vermos o adversário;
  • explicou as regras (que não sofreram alteração em relação ao que nosso amigo havia contado);
  • nos orientou para que a equipe vermelha ao sair do túnel virasse a esquerda e a amarela a direita (eu era da equipe vermelha, batizada de Sangue nus Zoios);
  • que ambas as equipes deviam seguir até o ponto onde estavam suas respectivas bandeiras;
  • ao escutar a sirene o jogo começava;
  • tínhamos uma hora para brincar, então, se a bandeira de alguma equipe fosse capturada antes desse tempo podíamos recomeçar;
  • uma equipe de apoio ficaria nos assistindo e em caso de problema era só nos dirigirmos a entrada principal.

O instrutor falava e a gente nem escutava mais, estávamos com sangue nos olhos, adrenalina nas alturas e só queríamos saber de exterminar nossos adversários. Cada equipe já tinha planejado sua estrategia e neste momento era um por todos e todos por um.

Na primeira partida minha equipe saiu enlouquecida a caça, a estrategia foi completamente ignorada e como loucos partimos para cima de peito aberto, resultado, perdemos nossa bandeira e tomei tanto tiro que meu colete ficou sem funcionar a maior parte do tempo.

Na segunda dividimos a equipe, dois ficariam protegendo a bandeira, eu era um deles, enquanto os outros quatro tentariam capturar a bandeira adversária, sempre andando em grupo de dois para termos cobertura. Vencemos fácil, eles contavam com nossa desordem para nos aniquilar, mas os surpreendemos com uma estrategia quase militar.

Na terceira e última, eu fui para a linha de frente e mantemos a mesma estrategia. A equipe amarela estava mais esperta e com o orgulho ferido depois do massacre da segunda partida, então, se preparam bem. Eu e o Tonnel estávamos ganhando terreno e avistamos a bandeira adversária.

Fiquei louco naquele momento, tínhamos que passar por um túnel e pegar a bandeira, nada mais. Era Sangue nus Zoios puro, adrenalina a mil e o coração acelerado. Quando caminhamos em direção ao túnel começou a ferver pipoco…era uma cilada. Tinha um amarelo vigiando a saída no túnel que dava acesso a bandeira. Eu e Tonnel estávamos a esquerda da entrada do túnel, o que dificultava acertarmos o nosso adversário juntos e elimina-lo. Fiz um sinal para o Tonnel de que iria passar para o lado direito do túnel, e no três, ambos atiraríamos no safado que estava do outro lado e venceríamos.

Todo o movimento de passar para o outro lado tinha que ser perfeito, não podia arriscar tomar tiro senão o Tonnel ficaria sem cobertura e seria abatido. Todo nosso esforço cairia por terra. Estávamos no corredor na boca do túnel de acesso a bandeira amarela, esse era o check point do jogo. Então, mostrando minhas habilidades em táticas de guerra, dei uma cambalhota rolando pelo chão neste corredor, já projetando meu corpo para ao levantar escorar na parede e me preparar para no três, entrar atirando no túnel com o Tonnel. A vitória era eminente.

A tática era excelente, o movimento da cambalhota rolando no chão foi perfeito, mas ao escorar na parede e apoiar meu peso na mesma (na época eu era magrinho galera) para seguir atirando, descobri que a parede era uma porta enorme, que estava apenas encostada e cai de costas já dando uma cambalhota para trás e caindo em pé no meio da praça de alimentação do Minas Shopping.

Eu estava em posição de guerra, com os joelhos dobrados, uma mão no gatilho e outra no cano da metralhadora, olhando de um lado para o outro nos olhos das pessoas e apontando a arma na direção das mesmas conforme minha cabeça se movia. Após uns 5 segundos, que pareceram uma eternidade, fiquem em pé normalmente, encarei todos novamente, já com a arma solta apenas presa em meu pescoço, pedi mil desculpas, puxei a porta e voltei para o jogo.

Depois dessa, não sei nem dizer se a tática de entrarmos atirando funcionou, talvez o Tonnel se lembre. Lembro apenas de ter caído na gargalhada depois do vexame de aparecer fantasiado de guerrilheiro no meio do Shopping e de dois caras que entraram no nosso campo de batalha pela porta que eu havia aberto sem querer.

Terminada a brincadeira foi aquela festa né, e só para me deixar com mais vergonha do que eu estava, um menino que caminhava com o pai dele, me viu no corredor e disse: “_ Olha pai, o moço que apareceu todo maluco na praça de alimentação”. Pedi desculpas novamente e sai de fininho.

DOIDO DEMAIS!!!

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