Entalado em um F1

Minha esposa e minha família sempre comentam que gostariam de ter a mesma alto estima que eu tenho. Realmente não tenho problema com isso, apenas de estar acima do peso ideal (também não sou nenhum obeso mórbido né galera) eu me acho o gostosão da moda. Pessoalmente acho uma grande vantagem pois economizo demais em terapia pensando dessa forma, no entanto, por outro lado acabo entrando em algumas frias por achar que estou bem na fita. Sou um gordo que acredita ser magro. 🙂

A aproximadamente 3 anos atrás, quando Fernando Alonso ainda corria pela Renault, minha esposa, na época namorada, decidiu que queria comprar um carro. Resolvemos sair no final de semana para ver as opções disponíveis no mercado que cabiam no orçamento dela.

Para facilitar, fomos em uma avenida chamada Barão Homem de Mello que possui diversas concessionárias: VW, Pegeout, Renault, Ford e por aí vai. A preferência dela era um Ford Ka, mas queria ver valores do Gol e do Sandeiro. Fomos na Ford, na VW e depois passamos na Renault, por desencargo de consciência, pois a decisão do que comprar ela já tinha na cabeça, o Ford Ka.

Quando entramos na Renault nos deparamos com a seguinte cena: no fundo da loja tinha um painel gigante de um grid de corrida de fórmula 1 e na frente dele, a Renault pilotada por Fernando Alonso no Mundial de F1 do ano anterior. Quando fixei o olhar vi duas pessoas, uma moça muito simpática e um cara sentado em um banquinho. A moça gentilmente se dirigia as pessoas e perguntava se não queria tirar uma foto no F1. Se topava, ela anotava nome, telefone e e-mail e pedia ao folgado do fotografo, que não se movia no banquinho, para registrar a foto, que seria enviada por e-mail.

Fomos olhar o Sandero, mas minha atenção já havia sido tomada, só pensava em ir tirar uma foto ao lado do F1. (Eu não iria perder essa chance de jeito nenhum). Depois de ver os detalhes do carro, comentei com a Ellen que queria ir ver o F1 e tirar uma foto. Imagina vocês que quando caminhamos na direção onde o F1 se encontrava, vi o cara que foi tirar a foto sentado dentro do carro. DOIDO DEMAIS, pirei o cabeção! Geralmente a gente mal pode chegar perto…sempre tem uma área demarcada com uma placa: Favor não encostar, passar a mão, espirrar ou fixar demais o olhar no veículo…e naquele momento não vi placa alguma e sim um cara dentro do F1 tirando sua foto de recordação. Tinha mais duas pessoas na minha frente, uma delas apenas encostou no carro para foto e o segundo também optou por sentar no cockpit para tirar a foto dele.

Na hora comentei com a Ellen, que maneiro, vou tirar a foto dentro do cockpit também, igual aquele cara. Nisso eu estava completamente eufórico e minha capacidade de escutar a opinião dela desligada. Lembro dela ter comentado: “_ Meu amor, o cara que sentou no carro e magro, você não cabe lá dentro, vai entalar”. Acredito ter respondido alguma coisa do tipo: “_ Que isso, temos o mesmo corpo, se ele entrou e saiu sem problemas eu consigo fácil, não se preocupe”.

Chegou minha vez, fui direto para o cockpit. Coloquei um pé, o outro e fiquei em pé. A vista já era doida, as rodas grandes, o bico do carro, o volante repleto de botões…para um apaixonado por velocidade e F1, eu estava no céu. O próximo passo era literalmente escorregar o corpo pelo cockpit dobrando os joelhos de forma a ficar com as pernas dentro do bico e o corpo encostado corretamente no banco do carro. Foi o que eu fiz. Do céu galera, literalmente desci ao inferno…Quando escorreguei meu corpo, ele travou um pouquinho na região da cintura e tive que fazer um leve para me acomodar, foi o mesmo que cair de uma altura de 20 centímetros de bunda no chão. Eu era o piloto da vez, estava sentado dentro de um F1.

Foram 15 segundos de alegria antes do primeiro pensamento que me deixou em pânico: “Ferrou, como vou sair daqui agora?”. O carro é baixo demais mesmo, parece que a gente esta sentado no chão, as pernas esticadas no bico do corra com um espaço minimo entre a coxa e o volante, o espaço para os braços é suficiente para você pegar no volante (retangular e cheio de botões…lindo demais…queria saber onde ligava), o tronco na altura do cockpit e apenas um pedaço do capacete para fora (eu estava sem capacete). A sensação de segurança para pilotar em alta velocidade é grande, eu não estava pilotando, e ainda tinha o primeiro pensamento na minha cabeça, agora mais forte.

Lembram que disse ter feito um leve para entrar no carro? Imaginem se conseguirem ou observem os pilotos de verdade que irão entender meu sufoco. Vou tentar ser mais claro:

  • Pouco espaço para as pernas que não me permitiam recolher as mesmas simplesmente dobrando os joelhos porque as coxas se prendiam no volante,
  • Os braços estavam com o cotovelo preso ao corpo apenas com o anti-braço segurando o volante e além disso o cockpit é bem justo e apertado para que o piloto não sacuda de um lado para o outro,
  • A orelha praticamente encostada na beirada do cockpit e apesar deu ser gordo, não sou o dumbo que abana as orelhas e voa.

Nesse momento eu perdi a graça, e Ellen, que ainda estava junto com um amigo nosso, achou a graça que eu perdi e não parava mais de rir…ela percebeu que eu havia entalado e que não tinha como sair de dentro do F1 sem a ajuda de um guindaste. Quanto mais ela ria, mais eu ficava nervoso e sem graça, até a moça simpática estava rindo enquanto o fotografo aproveitava para clicar a vontade.

Já abriram vinho com aquela paradinha chic onde a medida que o abridor entra na rola as alças sobem e para abrir você simplesmente faz o movimento de apertá-la para baixo, fazendo com que a rolha seja retirada da garrafa? Pois bem, eu era a rolha entalado na garrafa. Para sair precisava fazer dois movimentos sincronizados que não estavam bem cadenciados: dobrar meus joelhos e forçar o corpo para cima com os pés até que os meus cotovelos tivessem livres o bastante para encaixar na beirada do cockpit para que eu fizesse o movimento das alças puxando a rolha. (meu olho esta lacrimejando e estou suando só de relembrar…parece que estou vivendo tudo novamente).

A medida que eu ia tentando fazer o movimento acima, minhas coxas eram espremidas no volante e doía para caralho e meus cotovelos já estavam arranhados e ardendo de tentar chegar ao topo do cockpit…foi quando tive a brilhante ideia de virar o volante, todo para a direita como se fosse fazer uma chiquene de 90º, assim ele ficava reto e aumentava o espaço para minhas pernas movimentarem, mas ainda agarrava um pouco. Na 3º tentativa, já suando em bicas e escutando apenas a gargalhada das pessoas (não era mais risada, tinha rolado um upgrade para gargalhada mesmo, e das altas) eu forcei “di com força” para dobrar os joelhos, forçar a ponta dos pés e encaixar o cotovelo no cockpit que acabei deixando um tufo de cabelo das pernas preso ao volante do F1, mas finalmente me livrei daquele martírio.

Estava sem graça, com um sorriso amarelo no rosto que pingava suor, mas feliz por dentro por ter conseguido tirar minha foto dentro do F1, após acreditar piamente que tinha o mesmo peso e corpo do Fernando Alonso.

Pelo menos durante estes últimos anos exibi a foto orgulhoso aos amigos, que agora vão poder rir da minha cara porque não sabiam que para tal registro fiquei entalado no F1 e com um hematoma nas duas coxas por 15 dias.

É isso aí moçada, depois registro mais histórias hilárias que só acontecem comigo.

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