Momento DORITOS…

Quarta-feira da semana passada, tinha tudo para ser um dia comum, corriqueiro e sem muitos acontecimentos fora do normal até a Flinkas me ligar, por volta das 11:07 da manhã, para avisar que minha encomenda havia chegado, uma capa para proteger minha moto do sereno e poeira durante a noite. Como estava na expectativa da mesma chegar, ele achou por bem levar a encomenda para o serviço dele e combinamos de almoçar juntos para que ele me entregasse a tão esperada capa.

Detalhe importante: “Sempre que almoçamos juntos, deixo minha moto em um estacionamento pago (apesar de não pagar), mas um pouco distante, porque na rua as vagas de moto sempre estão cheias, e quando tem vaga, o risco de encontrar a moto arranhada ou no chão é grande – como minha moto é nova e ainda estamos na fase de namoro, evito deixar a moto nestes amontoados de motocicletas”.

No horário combinado eu estava na porta, e para surpresa dele, eu havia estacionado onde não gosto, na porta do serviço dele. Para maior segurança, coloquei a TRAVA DE DISCO. (Este acessório é muito bacana e prático, substitui perfeitamente aquelas correntes grandes que você amarra em volta do poste e passa pela roda da moto. Fica no disco de freio dianteiro e não permite que a motocicleta seja levada sem querer por algum transeunte que está de passagem e que possa vir a confundir sua moto com a dele).

Almoçamos tranquilamente e quanto retornamos, lá estava minha motoca, linda, intocável, do jeito que eu havia deixado (Ufa, pensei! Tudo correu bem e ainda evitei a fadiga por não ter que caminhar até o estacionamento, ainda mais com o pandú cheio).

Começamos a conversar e ficamos mais ou menos uns 40 minutos batendo papo e fazendo comentários sobre a moto como designer, autonomia na estrada, consumo dentro da cidade e por fim da sinfonia maravilhosa que é ouvida por todos quando enrolo o cabo e acelero a NEGUINHA (nome de batismo da minha moto) a 10.000 rpm, após a troca do escapamento original por um esportivo.

Gostamos tanto de moto que no final desta conversa ele pediu para eu ligar a moto, prontamente subi em cima dela, virei a chave e pressionei o botão da ignição. Silêncio total neste momento, escutava apenas o ronco do motor 4 cilindros, que por sinal é maravilhoso (uma sinfonia), e como não podia faltar o pedido mais orgástico: “_ Junior, acelera está parada nervosa até o talo”. Completamente possuído pelo ESPIRITO DE PORCO, acelerei até 11.500 rpm. Que roncado DOIDO DEMAIS…

Ficamos ali (eu e Flinkas) por longos 10 segundos fazendo o maior barulho, sem ao menos preocupar com o cenário que nos cercava. A galera deve ter imaginado e comentado entre si: “Olha que BABACA sem noção, não está vendo que quero conversar em paz! Só porque tem um motão acha que pode alugar o nosso ouvido?”. Não terminou por aqui meu momento de ser o centro das atenções. Reduzindo a rotação do motor e me preparando para ir embora, despedi do Flinkas e acelerei devagar curvando levemente para direita, para dar aquela esticada assim que conseguisse ver que a pista estava livre quando de repente a TRAVA DE DISCO entrou em ação.

A moto deu um tranco e instantaneamente inclinou para direita. Como um gato e com um reflexo mais rápido que a velocidade da luz, olhei rapidamente para meu lado direito e vi uma fila de mais ou menos 40 motos (Quem já viu na rua estes estacionamentos de moto sabe que elas ficam todas bem pertinho uma da outra), então, mentalmente gritei bem alto: “Pelos poderes de Grayskull… EU TENHO A FORÇA!”. Com a inclinação, eu tinha que segurar os 218 kg da moto no braço, caso contrário iria rolar um belíssimo STRIKE (Quando estamos jogando boliche este é o momento mais esperado, mas nesta circunstância seria uma grande tragédia, sem contar o prejuízo).

Eu estava fazendo tanta força para segurar a moto que não conseguiu nem gritar o Flinkas para me ajudar e a medida que o tempo ia passando (segundo a segundo) as forças enviadas pelo Castelo de Grayskull já não estavam mais ajudando, estava quase me transformando no príncipe Adam novamente quando o Flinkas voltou para me ajudar (esse fato só aconteceu porque as pessoas em volta fizeram uma cara de espanto daquelas em que você lê no semblante, olha o babaca se dando mal. Vai cair, vai cair…acho que até torcem para que isso aconteça…risos).

Quando colocamos a moto na posição correta, gentilmente ele retirou a trava de disco em quanto eu tentava respirar normalmente (estava ofegante) e fazer os meus joelhos voltarem ao normal (estavam bambos). Que susto pensei, ainda bem que a moto não caiu. Recuperado, sai acelerando, afinal, o barulho da NEGUINHA é uma sinfonia.

Quando cheguei no escritório, ainda assustado com o ocorrido, lembrei da propaganda da Doritos. “Quer dividir alguma coisa com os amigos? Divida um DORITOS!”.

Pensei comigo, muito melhor mesmo, quis fazer graça e quase me dei mal.

 

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COMMENTS

  • Erika

    kkkkkkkk nossa vc eh uma piada Júnio quase morri de tanto rir, na hora la então, devia ser mais engraçado ainda. kkkkkkkk

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