Sempre vou te amar vovó, mas agora é hora de descansar ao lado de Deus

A 9 dias atrás, recebi a notícia da internação da minha avó materna, vó Dita, fiquei muito abalado com a notícia e mais ainda após vê-la no hospital. Meu coração ficou em pedaços, no formato daqueles quebra-cabeças de 5000 peças, que para montar é difícil e demanda tempo.

Já sou crescido, sabia da situação atual de saúde dela e da dificuldade que ela vinha passando no combate ao câncer. Aos 86 anos de idade, mesmo na cama e com peso de criança, a vontade de viver dela sempre foi grande, e lutou com todas as suas forças para chegar o mais próximo dos sonhados 100 aninhos de vida. Mas essa não foi a vontade do nosso Pai Celestial.

Desde a notícia, um filme veio passando na minha cabeça sobre os momentos alegres e divertidos que passei com ela. Quando criança, mudamos para Coronel Fabriciano e ela tinha que ir de 15 em 15 dias para lá pois eu queimava de febre quando ficava longe dela, quando chegava a alegria tomava conta e a febre sumia. Nas férias sempre vinha com ela para BH, era muito bom.

Ao longo dos anos de vida dela, fiz sempre o que pude para aproveitar ao máximo minha velhinha, e em alguns momentos dava um jeitinho de realizar uma vontade dela.

Lembro que umas das cenas que mais me chamou a atenção em minha avó, foi quando a levei em Santa Rita do Passa Quatro, em São Paulo, para ver meu tio Uziel. Eles não se viam a um tempão e ela me perguntou se eu a levaria até lá. Marcamos a data e fomos. Deixamos em casa meu avô, o segundo companheiro que ela teve na vida, e depois de dois dias em Santa Rita a saudade e preocupação dela com o meu avô aumentou e ela quiz vir embora, antes do combinado. Acabamos vindo e quando ela o viu, deu nele um abraço apertado, um selinho e o olhou com tanta ternura e amor que senti orgulho de ser neto dela. Era bonito ver aquela cena de amor, principalmente por ela ter seus setenta e poucos anos, geralmente as pessoas tem vergonha de demonstrar os sentimentos, e ela nunca foi assim.

Eu e meus irmãos sempre brincamos muito com ela, a gente abraçava, cheirava, mordia a orelha dela, atrapalhava seus cabelos e por aí vai. Algumas pessoas, da família e de fora, diziam que a gente não tinha respeito com ela, mas sempre foi o contrário, a gente fez dos nossos momentos algo inesquecível.

Que “Cheirinho de mofo”, era isso que a gente dizia quando a abraçava, e ela, abria o sorriso e nos beijava dizendo que nos amava. Não vou mais sentir esse cheirinho tão gostoso, nem acariciar seus cabelos grisalhos e finos, os mais lindos que já vi, mas apesar disso, estou feliz, por ter tido a oportunidade de aproveitar a minha avó. Claro que sempre fica a sensação de que poderia ter feito mais, aproveitado mais e mais, acho que deve ser normal pensar assim, mas aproveitamos bem os momentos que tivemos e isso que importa.

Nos últimos tempos, confesso ter evitado encontrar com ela, a doença havia deixado ela muito debilitada e não queria ter essa imagem em minha mente. Minha avó sempre terá o rostinho da foto acima em minha mente, pena não ter achado a foto em que enchemos os cabelos dela de pregador de roupa. A gente era assim juntos, sempre sorrindo e brincando.

Minha querida avó, meu amor por você e por tudo de bom que me proporcionou nunca será esquecido, agora sua alegria de viver irá encantar os anjos de Deus, que com certeza irá recebê-la com amor, por ser mais uma filha que retorna para junto dele.

Ficamos aqui com o coração triste pela sua ausência, mas confortados por saber que estará bem, ao lado do criador, sem dores, sem sofrimento ou pesar, pois o corpo que temos é apenas para essa vida, e ele lhe foi útil ate o ultimo minuto.

Obrigado por cada gesto de amor, carinho e momento de felicidade compartilhado, se Deus quiser e no momento que ele desejar estaremos juntos novamente, fique em paz e que Deus mais uma vez a abençoe.

TE AMO PARA SEMPRE!!!

 

 

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COMMENTS

  • Mauricio, obrigado pelas belas palavras de conforto que por sinal são sábias.
    Despedi dela ontem com o coração apertado, meio sem chão e sem saber o que fazer de agora em diante, não terei mais o prazer de ver o olhar admirado, apaixonado e terno dela comigo, mas em contra-partida, por tudo que vivemos não deixarei de ver ao recordar dela.
    No primeiro dia de internação, disse a ela que precisava dela forte, para conhecer a bisnetinha que ela tanto me pediu, ela sorriu e balançou a cabeça em sinal de positivo. Ontem minha mãe comentou comigo, que infelizmente era não iria conhecê-la, mas disse que vai sim, que irá abençoa-la junto com os anjos de Deus.
    O dor realmente é grande, tenho que ser forte para não deixar minha mãe mais triste, mas devagar a saudade e as boas lembranças irão confortando o nosso coração.
    A vida segue, a fé em Deus e o amor pela vida que ela tinha nos serve de exemplo para superar esse momento de turbulência até que o sol volte a brilhar.
    Mais uma vez obrigado pelo seu carinho, que Deus abençoe seus passos e sua família sempre.

  • Bem, primeiramente, meus sentimentos pela perda.
    Caí aqui de repente no seu texto e viajei nessa história de amor, a qual viví, aliás, vivemos eu e minha família com nossa sempre amada Vovó Dindinha, que viveu por 100 anos apenas praticando o que Deus lhe proporcionou, ao lhe dar como benção, seu maravilhoso coração.
    Vovó cheirosa, caprichosa e amorosa, dádiva, benção, presente, o amor em pessoa, que nos acompanhou desde criança e que Deus resolveu buscar, pra auxiliá-lo lá de cima, num zelo eterno a todos nós.
    Mas essa saudade dói, essa vontade de ter de volta, e não poder, essa procura sem fim pela pessoa linda que sempre estava a sorrir pra nós e hoje, nos sorrí apenas em nossos pensamentos… Isso dói…como dói…
    Sei bem o que você sente, amigo…e como sei….mas sabemos também que elas estão sim num lugar maravilhoso, a cuidar de nós e à espera sem pressa de nosso encontro, quando for a nossa vez, de partir deste mundo…
    Um forte abraço…
    Mauricio

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